Como montar uma reserva de emergência para a sua empresa

Toda empresa vai enfrentar um mês ruim. Um cliente que cancela, uma venda que não fecha, uma despesa inesperada. O que separa uma crise passageira de uma crise existencial quase sempre é uma coisa: reserva de emergência.

Empresas que não têm esse colchão tomam decisões ruins sob pressão. Aceitam clientes que não deveriam, fazem descontos que destroem margem, contratam empréstimos caros. Tudo porque não há tempo para pensar com calma.

Quanto guardar

O padrão recomendado para PMEs é ter entre três e seis meses de custos fixos em reserva. Custos fixos, não faturamento. O valor que você precisa para operar mesmo sem receita nenhuma entrando.

Se os seus custos fixos mensais somam R$30.000, a reserva mínima é R$90.000. A ideal é R$180.000.

Parece muito. E provavelmente é. Por isso a reserva se constrói ao longo do tempo, não de uma vez.

Como construir a reserva

Defina um percentual fixo do faturamento. Todo mês, antes de qualquer distribuição de lucro, separe um percentual para a reserva. Cinco por cento é um bom começo. Dez por cento é melhor. O valor exato importa menos do que a consistência.

Guarde em conta separada. Reserva de emergência que fica na mesma conta do movimento da empresa não sobrevive. A separação física cria separação mental. Use uma conta de investimento de liquidez diária, de preferência com algum rendimento.

Não toque a não ser em emergência real. Oportunidade de negócio não é emergência. Queda temporária de vendas também não é, a não ser que seja prolongada. Defina antes o que constitui uma emergência que justifica usar a reserva.

Reserva não é custo, é proteção

Empresas que têm reserva tomam melhores decisões porque têm tempo. Tempo para encontrar o cliente certo em vez do primeiro que aparece. Tempo para negociar em vez de aceitar. Tempo para pensar em vez de reagir.

Esse tempo tem valor. E ele é construído com disciplina financeira, não com sorte.

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