Como estruturar um processo de onboarding que retém talentos desde o primeiro dia

Boa parte das saídas nos primeiros noventa dias de um colaborador começa muito antes da demissão. Começa no primeiro dia, quando a pessoa percebe que não há estrutura para recebê-la, não há clareza sobre o que se espera dela e ninguém parece ter planejado sua chegada.

Onboarding não é burocracia de RH. É o começo do relacionamento entre a empresa e o colaborador. E relacionamentos que começam mal raramente terminam bem.

O que um bom onboarding precisa cobrir

Existem três dimensões que precisam ser endereçadas: o operacional, o cultural e o relacional.

Operacional: a pessoa sabe onde as coisas estão, como os sistemas funcionam, quais são os processos principais e o que precisa entregar nas primeiras semanas. Sem isso, ela gasta energia descobrindo o básico em vez de contribuir.

Cultural: a pessoa entende como as coisas funcionam nessa empresa além do que está escrito. Como as decisões são tomadas, o que é valorizado, quais são os comportamentos que funcionam e os que não funcionam. Cultura transmitida no onboarding é cultura que se perpetua.

Relacional: a pessoa conhece quem são as pessoas-chave, com quem vai trabalhar mais diretamente e tem ao menos um ponto de referência dentro da empresa para perguntar o que não sabe.

Como estruturar na prática

Prepare antes do primeiro dia. Acesso a sistemas, mesa, equipamentos, email. Parece óbvio e acontece com menos frequência do que deveria. Chegar no primeiro dia sem condições de trabalhar é um sinal ruim sobre como a empresa funciona.

Estruture os primeiros 30 dias com intenção. Quem a pessoa vai conhecer? O que vai aprender? Qual é a primeira entrega esperada? Um plano de onboarding simples com atividades distribuídas nas primeiras semanas transforma a experiência de chegada.

Faça check-ins frequentes no início. Nos primeiros 30 dias, reuniões semanais curtas entre gestor e novo colaborador permitem calibrar expectativas, corrigir percepções erradas e detectar problemas antes que virem saída.

Onboarding é investimento de retenção

O custo de um processo seletivo mal concluído por falta de onboarding é altíssimo. Tempo, energia, custo de substituição e impacto na equipe que ficou. Investir na chegada de um colaborador é proteger o investimento feito para contratá-lo.

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