Existe um erro de liderança que aparece com frequência em gestores bem-intencionados: tratar todo mundo igual. Mesma abordagem, mesmo nível de autonomia, mesma frequência de acompanhamento para pessoas com experiências, competências e momentos completamente diferentes.
O que funciona para um profissional sênior autônomo pode paralisar um júnior que precisa de direção. O que motiva alguém em desenvolvimento pode desmotivar alguém que já domina o que faz. Liderança eficiente adapta o estilo à pessoa e ao momento, não ao cargo ou à preferência do gestor.
O que é liderança situacional
Liderança situacional é um modelo desenvolvido por Paul Hersey e Ken Blanchard que propõe que o estilo de liderança deve variar de acordo com o nível de desenvolvimento do colaborador em uma tarefa específica. Não é o perfil geral da pessoa. É a combinação de competência e comprometimento dela naquela função ou entrega específica.
Segundo pesquisa publicada pela Harvard Business Review, adaptar o estilo de liderança ao nível de prontidão do colaborador é um dos fatores mais consistentes associados a maior engajamento e performance de equipes.
Os quatro estilos e quando usar
Direção para quem tem baixa competência e alto comprometimento. Pessoa nova, motivada, mas que ainda não sabe fazer. Precisa de instrução clara, acompanhamento próximo e feedback frequente. Autonomia prematura aqui gera erro e frustração.
Orientação para quem tem competência em desenvolvimento e comprometimento variável. A pessoa já sabe alguma coisa, mas ainda comete erros. Precisa de direção com mais diálogo, espaço para perguntas e reconhecimento do progresso.
Apoio para quem tem alta competência mas comprometimento instável. A pessoa sabe fazer, mas perdeu motivação, está insegura ou está em um momento pessoal difícil. Precisa menos de instrução e mais de escuta, reconhecimento e espaço para contribuir.
Delegação para quem tem alta competência e alto comprometimento. Profissional que sabe o que faz e está engajado. Precisa de autonomia, objetivo claro e confiança. Microgerenciar aqui é o erro mais desmotivador que um gestor pode cometer.
Como aplicar
Antes de definir como vai liderar alguém em uma tarefa, avalie honestamente: qual é o nível de competência dessa pessoa nessa função específica? E o nível de comprometimento atual? A intersecção entre os dois responde qual estilo aplicar.
Para quem está desenvolvendo equipe pela primeira vez, vale rever também como dar feedback negativo e como conduzir avaliações de desempenho, que são ferramentas complementares à liderança situacional.
Liderança que se adapta gera equipe que cresce
Gestor que aplica o mesmo estilo para todo mundo está otimizando para a própria comodidade, não para o desenvolvimento da equipe. Adaptar exige mais atenção e mais inteligência relacional. E gera resultados que o estilo único nunca consegue.
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